O Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata,  comemorado nesta quinta-feira,  17 de novembro, vem com uma mensagem importante para os homens do Amazonas: cerca de 30% dos casos são diagnosticados na fase avançada da doença, realidade que precisa mudar, para que haja redução da mortalidade em decorrência da alteração, destaca o voluntário da Liga Amazonense Contra o Câncer (Lacc) e  presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), seccional Amazonas, cirurgião uro-oncologista, Giuseppe Figliuolo.

A próstata é uma glândula do tamanho de uma noz que produz o líquido seminal. Com o passar dos anos, ela apresenta alterações no tamanho e na textura,  o que leva à conclusão que o envelhecimento é o principal fator de risco para o câncer nessa região do corpo.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, em 2021, 16 mil homens morreram devido à doença, o equivalente a 44 mortes por dia.  “O dado é considerado alarmante, mas não surpreende, se considerarmos que 1/3 dos homens, com 40 anos ou mais, não faz o exame de toque retal.  Entre os motivos, estão o preconceito e o medo de ser diagnosticado com alguma doença que influencie na potência sexual”, destacou. A previsão de casos ao ano é de 66 mil no Brasil, sendo 500 deles no Amazonas.

O médico explica que, quanto mais cedo a doença é diagnosticada, maiores são as chances de cura e de sequelas, como a impotência sexual. “Hoje, o grande desafio do Novembro Azul, é conscientizar a população masculina, que o exame clínico não tira a masculinidade de ninguém, além de ser rápido, eficaz e indolor”.

Figliuolo também destacou que uma dúvida frequente entre os homens é se o exame de toque retal pode ser substituído apenas pelo PSA (Antígeno Prostático), feito através de análise sanguínea.  “O PSA sozinho, pode falhar em até 20% dos casos. Outro detalhe é que, apresentar alteração na dosagem do PSA pode significar outros problemas de saúde relacionados à próstata, não necessariamente câncer. Por isso, lembramos que o exame clínico com o toque retal e o PSA, são avaliações que se complementam e não devem ser feitas isoladamente ” ressaltou.

Ele explica que, mesmo com o fortalecimento e expansão das campanhas educativas voltadas à saúde do homem, como o Novembro Azul, grande parte da população masculina não visita o urologista após os 50 anos.  “Em geral, os homens só procuram o médico quando estão sintomáticos. Sinais como sangue na urina, retenção urinária, incontinência urinária, dores abdominais e até disfunção erétil, podem ter relação com o câncer no estágio intermediário ou avançado.  Ou seja: com maior dificuldade para ser tratado e menor expectativa de cura. O ideal é o que chamamos de rastreio”, destacou o especialista, que é doutor em saúde pública.

O rastreio consiste na avaliação do homem na fase sem sintomas, com o objetivo de detectar precocemente as alterações da próstata, em especial, o câncer, que no início, é assintomático. A indicação da SBU é que o rastreio seja iniciado a partir dos 50 anos,  para a população masculina em geral. “Mas, é importante ressaltar que homens com histórico de câncer na família, devem iniciar a visita anual ao urologista a partir dos 45 anos, por conta do fator hereditário (que transfere características genéticas de pai para filhos, por exemplo). O mesmo serve para homens negros, cuja incidência da doença é maior, conforme dados científicos”, explicou Figliuolo.

Ele assegura que o câncer tem cura e que as chances de sucesso no tratamento são superiores a 90%, quando a doença é detectada ainda no início.
Novembro Azul

A Sociedade Brasileira de Urologia adotou, para a campanha de 2022, o tema ‘Saúde também é papo de homem’. Paralelo a isso, a entidade mantém, de forma permanente, a campanha educativa ‘Vem pro uro’, uma forma de alertar a população masculina sobre a importância de se priorizar a saúde. A campanha é marcada pela iluminação de prédios públicos e privados com a cor azul e por uma vasta programação com orientação aos homens.


“Mas, independentemente da cor, lembramos que o rastreio do câncer de próstata deve ser feito todos os meses, de forma a não sobrecarregar a rede de saúde em uma época específica.  Manter a saúde em dia é um ato de amor próprio e também de amor ao próximo, visto que o câncer atinge não só o paciente, mas toda a rede de apoio ao seu redor “, destacou.