Criador do exame que pode evitar o câncer de colo uterino completaria 136 anos

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Criador do exame que pode evitar o câncer de colo uterino completaria 136 anos

Considerada até hoje uma das mais eficazes armas de controle e rastreio do câncer de colo uterino, o de maior incidência entre as mulheres no Amazonas, o exame Papanicolau, popularmente conhecido como preventivo, foi batizado com este nome em homenagem ao médico grego Geórgios Papanikolaou, que hoje completaria 136 anos. O feito foi lembrado nesta segunda-feira, 13, através de um Doodle, no Google, maior plataforma de pesquisa do mundo.

No Amazonas, que ainda é considerado o campeão no número de casos entre as unidades da federação, conforme a taxa bruta de incidência (casos para cada grupo de 100 mil mulheres), estima-se 840 novos casos para 2019. A informação é do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

 

Unidade de referência

 

Na Fundação Cecon, unidade de referência em cancerologia na Amazônia Ocidental, tanto os diagnósticos quanto os óbitos provocados pela doença, aumentaram em 2019. Dados do sistema e-siga, do Governo do Estado, apontam que foram 52 novos casos, no primeiro trimestre deste ano, contra 18, no mesmo período do ano passado.

As informações são do Laboratório de Análise Patológica da FCecon e consideram apenas pacientes diagnosticados na unidade hospitalar, que são oriundos dos municípios amazonenses e de estados vizinhos. Apesar dos dados, Marília Muniz explica que a maior parte das pacientes já dá entrada com o diagnóstico fechado, o que pode aumentar significativamente a estatística. Já as mortes, somam 43, três a mais que em 2018, no mesmo intervalo.

O exame, indicado para ser realizado anualmente por mulheres, a partir do início da vida sexual, ajuda na detecção de lesões no colo uterino e de inúmeras outras alterações, evitando, por exemplo, que elas evoluam para um câncer nessa região.

A presidente da Liga Amazonense Contra o Câncer (Lacc), enfermeira oncológica Marília Muniz, explica que sua experiência de mais de 20 anos na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), aponta que a doença, apesar de ser 100% prevenível, tem afetado cada vez mais as mulheres jovens, levando-as a cirurgias invasivas e, em alguns casos, tirando a chance de uma futura gravidez.

“O câncer de colo uterino já foi erradicado em vários países de primeiro mundo e, em parte deles, é associado a países pobres, com baixo IDH (índice de Desenvolvimento Humano) e ausência de políticas públicas de controle e combate. No Amazonas, especificamente, há uma corrente forte de sensibilização sobre a doença, apoiada por ONGs, Governo do Estado e Prefeituras Municipais. O exame está disponível na rede pública, mas precisamos, cada vez mais, apostar nas campanhas educativas, para levar informação às nossas mulheres, atraindo-as e garantindo que o preventivo torne-se uma rotina em suas vidas. Só assim, poderemos evitar o aumento de casos da doença e, especialmente, de mortes por câncer”, frisou.

O exame é simples, rápido e indolor. Consiste na coleta de conteúdo no colo uterino, submetido, posteriormente, à análise laboratorial, que apontará a presença de células que podem sugerir a presença de um câncer e outras lesões. “Se o acompanhamento é feito de forma rotineira, é possível, inclusive, diagnosticar o câncer de forma precoce, garantindo um tratamento mais simples, menos invasivo e mais eficaz, que na maioria das vezes, aumenta as chances de cura em até 90%”, explicou.

 

Campanha

 

Ela lembrou que, em 2019, o Governo do Estado introduziu no calendário anual, o Março Lilás, campanha dedicada unicamente a informar e alertar sobre a doença, apostando em um vasto cronograma que inclui diversas atividades. Além disso, a vacinação contra o HPV, iniciada no Amazonas há alguns anos, de forma pioneira, e expandida para o restante do País, tende a reduzir, em longo prazo, o número de casos da doença, já que atinge meninas em idade escolar. “A ideia é imunizar nossas meninas, antes que elas tenham qualquer tipo de contato sexual. Sabemos que o início precoce da atividade sexual, além do sexo sem preservativo, têm sido os maiores fatores de risco da doença e essa realidade atinge em cheio nosso estado”, destacou.

 

Conscientização e doações

 

Muniz explica que as campanhas de conscientização e prevenção ao câncer acontecem em parceria com o poder público, iniciativa privada e ONGs. “No caso da Lacc, dependemos basicamente de doações da sociedade civil, para o desenvolvimento desses projetos, que têm atraído a atenção da população. Outubro Rosa (câncer de mama), Novembro Azul (câncer de próstata), Março Lilás (colo uterino), entre outras campanhas, só são possíveis porque há uma participação efetiva da população, através de doações à Liga Amazonense, as quais ocorrem por meio do nosso site (www.laccam.org.br), call Center (92- 21-14900), entre outras ferramentas”, destacou.

 

 

 

2019-05-13T12:07:45+00:00maio 13, 2019|Lacc na Mídia, Notícias|0 Comentários

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